12 janeiro, 2009

E se Deus escrevesse o seu nome no céu?



Certo dia, profundamente incomodado com o fato de que o homem natural não se voltava para Ele, Deus fez o seguinte: Decidiu escrever o seu Nome nos céus.

Conta-se que Ele escreveu a seguinte frase: “Eu existo, assinado Deus.” Ficando o seu nome registrado nas nuvens do céu. Agora o debate acerca de sua existência ou não existência estaria liquidado... Quem ousaria questionar o fato de que Deus escreveu o seu próprio nome no céu ?

Os ateus, agnósticos, monistas, politeístas e todos os outros que negam a existência de um Deus pessoal levarão uma lição, pensaram os apologistas. Agora os homens naturais que resistem à revelação sucumbirão a esta prova irrefutável da presença de Deus.

Os apologistas então organizaram uma conferencia ao ar livre, num dia de muito sol é claro, estavam munidos de binóculos, provas fotográficas, lingüistas peritos das línguas em que Deus escrevera a frase: Inglês e Mandarim pra atingir bastante gente, francês pros acadêmicos da França não imaginarem ser uma fraude, alemão para que os alemães não imaginem que foi uma conspiração francesa, português é claro, por que, segundo dizem, Deus é brasileiro, e também no grego e hebraico apenas para não perder o costume!

Havia também matemáticos especialistas em probabilidade para demonstrar que a probabilidade de Deus escrever naquela quantidade de idiomas no céu era de 1 elevado a tritritritritritritritri 
tritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritritirittititititittititititititititititititititittitititititititititititittititittititititititiititittititititititiittitititititititititititiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiilhonésima potencia !!! Sem duvida eles não estavam para brincadeira!

Muitas outras provas irrefutáveis, foram somadas a estas provas com intuito de demolir os argumentos da oposição!

Quando os debatedores anti-Deus chegaram, eles foram bombardeados com todos estes argumentos e as respostas foram as mais variadas, os cientistas disseram que não havia provas empíricas suficientes para se definir a questão, outros alegaram que as correntes hegemônicas da ciência não haviam ainda analisado aquele fenômeno, e que, portanto o mesmo não serviria de Prova de coisa nenhuma, outros argumentaram que aquele era um evento singular e que eventos singulares não podem constituir evidencias cientificas, outros argumentaram que aquele fenômeno era uma conseqüência aleatória fruto de uma evolução cósmica regida pelo acaso, - A semelhança do DNA! (coisa que qualquer macaco daria conta de escrever numa maquina de escrever em bilhões de anos) bradou um biólogo presente. Um filósofo juntamente com um linguista relativizaram os argumentos dos defensores do teísmo dizendo que aquelas “letras” não passavam sinais aleatórios que na verdade só tinham significado com base nos valores e percepção de quem os observava, por exemplo, um existencialista ali presente disse que aquela frase significava existencialmente para ele: beba refrigerante!

Os religiosos não foram menos céticos com relação aos argumentos dos apologistas e apenas como exemplo citarei a interpretação de um religioso monista ali presente que considerou que aquela frase era uma prova irrefutável de que todos temos uma existência única tal qual o monismo apresenta e que no fundo... todos nós somos Deus.

O debate durou até o anoitecer com todos os lados endurecidos e no final um apologista cristão parou e pensou o seguinte: Mas que perda de tempo, o homem natural nunca vai aceitar esta nossa conversa e estas nossas provas!
Foi então que ele consultou um antigo livro esquecido, empoeirado, mas verdadeiro, onde o próprio Deus já dizia que as pessoas não se voltariam para Ele desta forma.

Ele descobriu também, que Deus já havia provado a sua existência muito antes daquela frase, mas que os homens sem Deus negam a verdade que já possuem. O problema ele descobriu estava no coração, sede dos sentimentos, da razão e da vontade segundo o antigo livro. Se o coração não mudar o homem não muda, e argumentos por melhores que sejam não tocam nos corações.

O que fazer então, perguntou este apologista desiludido, e o velho livro lhe respondeu pregue a verdade, apenas pregue e a transformação dos corações ficará comigo.

Esta estória é de ficção, Deus não precisa escrever o seu nome nos céus para comprovar a sua existência, pelo menos não de novo.
Mas a descoberta é verdadeira e você já a fez?

Manoel Delgado.


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