23 julho, 2009

Um Deus que chora?


“Jesus chorou.” João11:35

Chorar na cultura ocidental moderna é um símbolo de fraqueza, ainda é comum ouvirmos por aí a expressão: “homens não choram”. Expressão que demonstra a realidade de que em muitos círculos os homens para demonstrarem que são fortes precisam suprimir esta característica do choro. Um Deus que chora soa aos nossos ouvidos ocidentais quase como uma contradição!

Como é possível que Deus a expressão máxima do poder, da autoridade e do domínio possa chorar? Os antigos Gregos ao conceituarem o Deus Supremo conceberam um Deus impassivo sem reação, sem sentimentos. Esta imagem distorcida de Deus afetou e ainda afeta muitos cristãos.

O Deus das escrituras sagradas não impassivo, mas sim compassivo, ou seja, Ele é um Deus que se importa e que reage. Que possui sentimentos e os expressa.

No evangelho de João está registrado o fato de que o Senhor Jesus chorou.

Embora os teólogos enfatizem que o choro do Salvador foi uma expressão da sua divindade ou da sua humanidade. Não podemos negar o fato de que ali perante todos os presentes O Deus-Homem chorou!

Jesus chorou devido a sua humanidade, por que “ele é gente” e gente sente frio, calor, fome, se alegra, chora, se cansa, dorme, aprende progressivamente e possui angústias e dor, exulta de alegria. Jesus é verdadeiramente humano. Ele foi igual a nós em tudo exceto no pecado.

Jesus chorou revelando o coração da Divindade. Ele chorou devido às conseqüências dos pecados dos homens e pelos homens. Ele chorou... e toda a dor e o pesar de Deus encontrou uma expressão humana.

Jesus chorou conforme o Salmo 119:13 que diz:
“Torrentes de água nascem dos meus olhos, porque os homens não guardam a tua lei.”

Ou ainda com o sentimento de Deus registrado em Isaías 63:9-10:
“Em toda a angústia deles, foi ele angustiado, e o Anjo da sua presença os salvou; pelo seu amor e pela sua compaixão, ele os remiu, os tomou e os conduziu todos os dias da antiguidade. Mas eles foram rebeldes e contristaram o seu Espírito Santo, pelo que se lhes tornou em inimigo e ele mesmo pelejou contra eles.”

Mas o seu choro não foi expressão de fraqueza, mas sim da força de um Deus que sacrifica a si mesmo para que tenhamos a vida!

Por Manoel Delgado

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