22 julho, 2015

Meditando na Palavra: Uma introdução ao estudo bíblico indutivo. (I OBSERVAÇÃO)


“Antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita dia e noite.”
Salmo 1:2

Como fazer uma leitura proveitosa das escrituras sagradas? Como compreende-la com profundidade sem incorrer em equívocos? Como conciliar a seriedade necessária para a leitura e estudo bíblico com crescimento e devoção pessoal? Estas são perguntas que muitas pessoas se fazem e que demandam o esforço do presente artigo.

O salmista no verso em destaque apresenta alguns elementos da verdadeira e proveitosa leitura propondo uma “meditatio scripturae[1]”. Para o salmista a meditação nas escrituras é em primeiro lugar uma atitude profundamente realizadora. Pois o justo tem prazer na leitura da Palavra. Procura ler as escrituras encontrando nelas a sua regra de vida.  Ler as escrituras é mais do que um mero exercício acadêmico. É uma forma de relacionamento com o autor primário. É relacionar-se com Deus. Meditar na lei do Senhor é se achegar a santa palavra com atitude reverente e com espírito de oração.
A segunda implicação é que neste tipo de leitura não é preciso pressa. O salmista medita na lei do Senhor de dia e de noite. Profundidade exige tempo, dedicação. Não se achega perante o eterno olhando o relógio.  A cultura do descartável e do efêmero não tem vez aqui. É preciso recitar interiormente o texto até absorve-lo. É necessário dedicar-se a observação.

No EBI[2] temos esta possibilidade pois somos desafiados a ler e reler o texto quantas vezes forem necessárias, procurar perceber os elementos gramaticais e literários. Lendo narrativas como narrativas, poesias como poesias, figuras como figuras sempre respeitando os limites expressivos do texto estabelecendo padrões, percebendo a construção e estrutura da passagem lida. Uma palavra de destaque, um contraste de ideias, uma mudança de cenário, uma figura de linguagem. Tudo deve ser destacado, percebido até que tenhamos familiaridade com o texto. Muitas vezes o resultado será a memorização da passagem observada e a capacidade de parafraseá-la com as nossas palavras. Outra possibilidade é a de desenvolvermos uma diagramação do texto, que consiste em desenharmos um esquema com as palavras e ideias principais. Todos estes passos nos auxiliam a verdadeiramente compreender o texto sem incorrermos em distorções aumentando a possibilidade uma aplicação mais efetiva.

Terceiro meditar na passagem bíblica é ocupar a nossa mente com o texto inspirado. Através dos padrões da verdade revelada somos libertos de estruturas mentais escravizadoras e destrutivas e começamos mudar as nossas atitudes. Pois como bem afirmou o apóstolo Paulo “as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus, para demolição de fortalezas; derribando raciocínios e todo baluarte que se ergue contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência a Cristo; (2 Cor. 10:4-5)

Em quarto lugar meditar é perceber o texto em nosso cotidiano. Meditar na lei do Senhor de dia e de noite significa ter sempre a escritura e o seu autor diante de nós. Poderíamos parafrasear o salmista dizendo que meditar na lei de dia e de noite é viver a palavra em nosso dia a dia.  Na verdade estou sempre diante da verdade do texto, quando trabalho, quando me relaciono com minha esposa, quando educo minha filha ou quando converso com estranhos ou vizinhos. E por consequência estamos todos diante de Deus.
Pastor Manoel G. Delgado Júnior.



[1] Meditação nas escrituras. Existe uma longa tradição de leitura das escrituras para crescimento e edificação pessoal. No contexto da igreja cristã esta tradição também é denominada de Lectio divina.
[2] Estudo Bíblico Indutivo. Método de estudo bíblico. Que consiste em três passos progressivos para a compreensão da verdade bíblica. Observação, interpretação e aplicação. 

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