LEITURA - AS JABUTICABAS DA VIDA.
As Jabuticabas da Vida...
No pomar atrás da nossa casa, temos uma jabuticabeira. Faz anos que cuido dela, regando, adubando, esperando seu fruto delicioso (o predileto da minha esposa).
Lembro-me do ano em que deu suas "primícias". Vi as flores brotando no tronco. Logo em seguida, os frutos pequenos-cinco deles! Esperei o momento certo para colher o resultado de anos de suor-só para descobrir que as formigas haviam chegado antes.
Esse tem sido meu lamento de jabuticaba. Algo (ou alguém) sempre chega antes de mim. As formigas. Os pássaros. Talvez fantasmas na noite. Sempre a mesma história. O máximo que conseguimos foi o gostinho de algumas jabuticabas esquecidas por esses ladrões.
Neste mundo é assim. Parece que alguém sempre está comendo nossas jabuticabas. As pequenas decepções, frustrações e irritações nos lembram de que este mundo não nos satisfaz. São lembranças de que temos "eternidade no coração" (Ecl 3.11), e que só o Eterno é capaz de satisfazer nossos desejos mais profundos.
Talvez Deus permita que os pássaros comam nossas jabuticabas, justamente para intensificar nosso desejo de um dia comer o fruto da árvore da vida. Talvez as formigas destruam o fruto do nosso labor, justamente para que olhemos para além daquilo que é transitório, para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé.
Se nem tudo em sua vida "funciona" sempre como você gostaria (escola, saúde, serviço, família), talvez seja uma lembrança de que ainda não estamos "em casa". Deus não quer que nós nos satisfaçamos com qualquer coisa que não seja Seu Filho, para que em todas as coisas Jesus tenha a primazia (Cl 1.18). "Tu nos fizeste para ti" disse Agostinho, "e nosso coração não descansa, até que descanse em ti."
O Inimigo quer desviar nossa atenção para qualquer coisa, menos Jesus-programas, problemas, pessoas; mas tais coisas são jabuticabas que as formigas comem. Para nós, é só Jesus.
Você está satisfeito com Cristo? Ele ocupa o primeiro lugar em sua vida? Ou seu coração vagueia pelo caminho, inquieto, confuso, sem propósito, sem alegria? Separado do relacionamento com Deus através de Cristo, tudo neste mundo não passa de vaidade- o "correr atrás do vento" (Ecl 2.11). A verdadeira vida-a vida eterna-consiste em conhecer mais e mais a Deus, e Jesus Cristo, a quem enviou (Jo 17.3). Tudo converge em Jesus (Ef 1.10)! Que a nossa vida sempre esteja focalizada em Cristo, e não nas "jabuticabas" da vida.
Resenha: “As Jabuticabas da Vida” – Uma Reflexão Devocional
Tive o privilégio raro e profundamente edificante de conhecer pessoalmente o autor desta reflexão, um missionário dedicado, servo de Deus e expositor piedoso das sagradas escrituras. Sua vida e ministério são testemunhos vivos daquilo que ele escreve: uma fé encarnada, humilde e comprometida com a Missão.
Neste texto, o autor nos convida a olhar para as pequenas frustrações da vida — aquelas que, embora pareçam insignificantes, têm o poder de desviar nosso olhar de Cristo e nos afastar da essência da Missão. É uma advertência sutil, mas poderosa: quando permitimos que as trivialidades nos consumam, corremos o risco de perder o foco do eterno.
🟣 Ao ler, fui imediatamente remetido àquela crônica instigante sobre jabuticabas, cuja autoria é disputada entre Rubem Alves e Ricardo Gondim. Ambos, em estilos distintos, apontam como as frugalidades da vida — os rituais vazios, os formalismos excessivos — podem se tornar inimigos da autenticidade. A jabuticaba, nesse contexto, torna-se símbolo daquilo que é simples, saboroso e passageiro, mas que pode ser saboreado com gratidão e presença.
O texto do autor dialoga com essa ideia, mas com um olhar devocional: ele nos chama a não permitir que o sabor amargo das pequenas decepções nos impeça de saborear a doçura da graça. É uma convocação à vigilância espiritual, à leveza que não ignora a dor, mas a redime.
🕰️ Há também uma saudade implícita — e compartilhada — de uma época em que se podia aprender até com quem se discordava. Um tempo em que o diálogo era possível, mesmo entre vozes divergentes, e onde a sabedoria não estava restrita à concordância, mas à escuta sincera.

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