DEVOCIONAL - CDBC 81 - "CORAÇÃO À DERIVA"
CDBC - COMENTÁRIO DEVOCIONAL DO BREVE CATECISMO DE WESTMINSTER.
Mas, especificamente, este mandamento nos diz que devemos estar plenamente contentes com a nossa condição, uma vez que reconhecemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Isto não quer dizer que vivemos circunstâncias fáceis, mas que a nossa alegria deve estar no Deus da providência, que promete estar conosco ainda que andemos pelo vale da sombra da morte.
A obediência a este mandamento também não significa passividade fria, mas sim a atividade prudente de quem não despreza aquilo que Deus lhe confiou. A falta de confiança em Deus nos leva ao pecado da cobiça das coisas alheias, e esta cobiça nos faz questionar o caráter divino e os critérios de distribuição do “Supremo Provedor”.
Este mandamento também nos orienta a não dedicarmos cuidado excessivo às coisas que possuímos, pois corremos o risco de idolatrarmos as nossas possessões em detrimento de Deus e do próximo, que devem ser priorizados no lugar destas coisas.
Conta-se que o grande Camões passou pela circunstância trágica de um naufrágio, e que nesta ocasião sua mulher e sua obra-prima, Os Lusíadas, caíram ao mar. Camões, num acesso de amor, salvou aquilo que considerava mais importante, e que para ele seria uma perda irreparável. Ele salvou sua obra, e à esposa, falecida no naufrágio, dedicou alguns sonetos de amor.
Esta pequena história nos lembra a palavra de Jesus, que adverte de que onde estiver o nosso tesouro, aí estará também o nosso coração. Um coração firmado em Deus jamais será apegado às coisas deste mundo, pois o deleite de sua alma é o Criador.
O décimo mandamento, portanto, nos convida a reorientar nossos afetos, a disciplinar nossos desejos e a confiar inteiramente na providência divina. O verdadeiro contentamento nasce de um coração que descansa na soberania do Senhor e encontra em Cristo a sua suficiência.
SDG
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