11 janeiro, 2018

A propósito da morte de Fidel e Shedd.

A propósito da morte de Fidel e Shedd.*
Como não comparar? Duas mortes, dois grandes modelos de vida:
O primeiro um tirano, o segundo um servo de todos, e acima de tudo de Cristo.
O primeiro um assassino, um guerreiro, um revolucionário, o outro um homem manso, piedoso e missionário!

O primeiro influenciou gerações para uma ideologia materialista, o segundo despertou milhões para a santidade e a redescoberta das Escrituras.
O primeiro falava de guerras, lutas de classe, e conspirações mundiais, o outro falava de paz, de graça e amor, de um Reino sem fronteiras que não se desfaz.
Um liderava segundo os homens e para os homens, mas o outro liderava segundo Cristo, vivendo para Deus.
O primeiro homem morreu...
O outro homem não morreu, está em Cristo, apenas dorme!


*Para registro. Originalmente publicada como reflexão no dia 26 de novembro de 2016.

05 janeiro, 2018

Resenha do livro Teologia do Antigo Testamento. Ralph Smith



1. Referência bibliográfica. SMITH, Ralph L. Teologia do Antigo Testamento: História, Método e Mensagem. Trad. Hans Udo Fuchs e Lucy Yamakami. São Paulo. Vida Nova,  2001

2. Apresentação do/a autor/a da obra. Esta obra publicada no Brasil pelas edições Vida Nova do professor Emérito de Antigo Testamento no Southwestern Baptist Theological Serminary no EUA Ralph L. Smith é talvez a mais completa e atualizada em língua portuguesa sobre o tema. Esta obra tem sido texto de referência da disciplina de Teologia Bíblica do Antigo Testamento em instituições teológicas.

3. Perspectiva teórica da obra. Esta obra erudita de formato acadêmico procura apresentar ao leitor em linguagem relativamente acessível, as principais abordagens da teologia bíblica do Antigo Testamento desde os seus primórdios até a sua atual configuração, além de apresentar uma contribuição para a reflexão crítica da disciplina. Smith organiza a teologia do Antigo Testamento a partir dos principais temas teológicos encontrados no AT. Assim, conceitos como Deus, aliança e eleição, o homem, pecado e redenção, adoração, ética e vida após a morte são desenvolvidos a partir do contexto original com a contribuição dos principais estudiosos da disciplina. Sua abordagem é acadêmica e crítica.

4. Breve síntese da obra. A obra possui 51 capítulos e está dividida em 11 seções principais. Na primeira seção denominada de história da teologia do Antigo Testamento, Smith traça um panorama histórico da disciplina acadêmica, o início dos estudos, o declínio do interesse pela disciplina e o triunfo da Religiongeschichteschule e o renovado interesse a partir de novas abordagens. Na segunda seção são apresentados os diversos métodos empregados para o estudo da disciplina, levantando-se a questão sobe a possibilidade de um método unificado. Por que tantos teólogos do Antigo Testamento usaram tal variedade de métodos para apresentar a teologia do Antigo Testamento? Porque no próprio Antigo Testamento não se insinua nenhum método inerente ou "natural" e porque cada teólogo do Antigo Testamento aborda a tarefa de uma perspectiva diferente, além de poder ter alvos distintos. [SMITH, pág. 74] Da terceira a decima primeira seção são abordados diversos temas da teologia bíblica do antigo testamento. Deus e revelação, eleição e aliança, salvação, criação e providência, e os atributos da justiça, santidade e amor divinos, antropologia bíblica, ética e escatologia. Destaca-se a maneira como autor aborda temas difíceis sem atenua-los para efeitos de apologética e, ou harmonização doutrinária.

5. Principais teses desenvolvidas na obra. Segundo o autor o propósito da obra é de uma atualização bibliográfica com o propósito de apresentar um “relatório parcial” da disciplina até o momento. O propósito deste livro é pesquisar, não discutir ou debater. Não apresenta nenhum método radicalmente novo de fazer teologia do Antigo Testamento ou de interpretá-lo. Seu alvo é fornecer a alunos de universidades e seminários um livro de texto que proporcione um relato parcial do que os outros têm dito e feito no campo da teologia do Antigo Testamento e, depois, sugira modos pelos quais os dados teológicos no Antigo Testamento possam ser organizados, interpretados e apropriados.” [SMITH, pág.14)  

6. Reflexão crítica sobre obra e implicações para o ministério. É relevante o esforço do autor ao realizar uma apresentação da disciplina com um relativo distanciamento da esfera confessional e denominacional. Esta abordagem tem o mérito de possibilitar a correção de alguma interpretação, forçada ou distorcida de determinadas passagens bíblicas conectando-as novamente ao seu sentido original. Porém, fica um pouco estranho, para não dizer desconfortável, pensar a disciplina de teologia bíblica do Antigo Testamento a parte da grande tradição hermenêutica que compreende Cristo como o cumprimento de todas as expectativas messiânicas expressas no Velho Testamento. A obra tem o mérito de apresentar todas as opções e abordagens disponíveis possibilitando ao estudioso fazer a sua própria escolha metodológica.

02 janeiro, 2018

Resenha do Livro Mochileiros da Fé, Ricardo Bitun.


Resenha do Livro Mochileiros da Fé, Ricardo Bitun. 130 páginas.

1. Referência bibliográfica: BITUN, Ricardo. Mochileiros da Fé, SP. 2ª edição. Editora Reflexão, 2011.
2. Apresentação do/a autor/a da obra. Esta obra foi escrita pelo professor Ricardo Bitun. O autor é teólogo e cientista social, pesquisador e professor de Ciências Sociais na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Sua formação acadêmica é a de bacharel e mestre em Ciências da Religião, pelo IMES e Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP. Seus estudos acadêmicos se concentram na área da sociologia da religião e ciências da religião, com ênfase para o estudo do movimento neopentecostal. Temática explorada no presente trabalho.   
3. Perspectiva teórica da obra. Trata-se de um ensaio. Na obra o autor aborda o tema do transito religioso, no cenário evangélico brasileiro, para isto o autor se vale da metáfora do mochileiro da fé, que pelo seu caráter dinâmico e fluído procura descrever o nomadismo religioso. Para desenvolver o tema, o autor procura delimitar o contexto deste trânsito analisando a transformação da sociedade brasileira a partir do estudo do conceito weberiano de secularização da sociedade. Ao delimitar o seu objeto de estudo o neopentecostalismo, o autor se vale de seus estudos anteriores, pioneiros na matéria, bem como de obras de referência que analisam o fenômeno do pentecostalismo e do protestantismo de modo geral, tais como as de Freston, Brandão, Mendonça e Mariano.  Em suas análises sobre a produção e troca de bens simbólicos, o autor fundamenta-se na clássica obra de Bourdieu, destacando-se ainda que o autor recorre amplamente ao instrumental da análise de campo para compreender o fenômeno da migração religiosa.
4. Breve síntese da obra. A obra está dividida nas quatro seções principais, seguidas por uma breve conclusão, onde as teses do presente ensaio são apresentadas. No primeiro capítulo denominado “em que mundo transitam os mochileiros da fé?” o autor traça um panorama teórico da transição da sociedade tradicional para a sociedade moderna e as transformações que esta mudança ocasionou nas relações sociais. Apresenta as consequências do processo de secularização/modernização no pensamento contemporâneo em que a escatologia tradicional herdada da cosmovisão judaico-cristã é substituída por uma concepção de realização material e presente. Nesta mudança o interesse pelo “além”, foi deslocado para o horizonte desta vida. Na segunda seção denominada de “os espaços sagrados da peregrinação” o autor analisa o campo religioso brasileiro, e faz a apresentação das tipologias do pentecostalismo. Para tal, analisa a história do protestantismo, os dados demográficos do cenário religioso brasileiro e as tipologias propostas para o estudo do pentecostalismo, apresentando o neopentecostalismo como uma terceira onda. Na terceira e quarta seção, o autor, por meio de ampla evidencia empírica, apresenta o fenômeno do trânsito religioso no seio das igrejas neopentecostais, com destaque para a IMPD[1] e IURD[2]. Este trânsito ocorre a partir de uma competição religiosa pelo mercado religioso, em que os bens simbólicos da religião, são produzidos e comercializados visando o consumidor religioso. Este trânsito, pode ocorrer entre diferentes tradições religiosas e, ou no seio de uma mesma tradição, gerando um acirramento da competição tudo orientado pelo instrumental do marketing religioso.   
5. Principais teses desenvolvidas na obra. Nas considerações finais, o autor faz o apontamento das principais ideias defendidas ao longo do trabalho. A saber, primeiro o rápido crescimento pentecostal está associado a produção e distribuição de bens simbólicos de consumo. O transito religioso no seio destas igrejas decorre de soluções imediatistas oferecidas aos fieis, como no caso da cura divina, na IMPD. Este tipo de relação produz o acirramento da competição entre agentes religiosos, como no caso da cisão entre IURD e IMPD. A mensagem neste tipo de práxis religiosa pode ser adequada as exigências do mercado religioso, tal como pode ser percebido nas abordagens da IMPD, onde os elementos tradicionais da teologia do pentecostalismo clássico, bem como de outras tradições (sincretismo), são relativizados e, ou enfatizados conforme a estratégia de arregimentação dos consumidores da fé. O futuro da IMPD está aberto, podendo a mesma ser uma continuidade do neopentecostalismo de terceira onda, ou talvez, uma nova e quarta onda neste amplo movimento.   
6. Reflexão crítica sobre obra e implicações para o ministério. Esta relevante e premiada obra[3] levanta profundas e urgentes reflexões para o ministério pastoral contemporâneo.  Procurarei apresentar algumas que despertaram a minha atenção ao ler esta obra: Primeiro, de que maneira, a conhecida realidade da “porta dos fundos” nas igrejas locais, pode ser melhor compreendida a partir desta análise proposta pelo autor? Segundo, até que ponto estratégias de marketing afetam o conteúdo do discurso religioso atenuando as exigências e maximizando as recompensas para prejuízo da verdade? Terceiro, como realizar o “discipulado” numa era de pouco compromisso? Será que o rápido crescimento do segmento evangélico, em sua vertente neopentecostal pode ser considerado um crescimento efetivo do cristianismo em terras brasileiras?

Por estas e outras questões. Recomendo a leitura da referida obra.
Manoel Gonçalves Delgado Júnior

[1] Igreja Mundial do Poder de Deus.
[2] Igreja Universal do Reino de Deus.
[3] PRÊMIO ARETÉ 2012”- da ASSOCIAÇÃO DOS EDITORES CRISTÃOS, pela excelência em literatura cristã.

12 dezembro, 2017

Devocional em Levítico.


Algumas observações: Levítico é o estatuto do povo Judeu. Povo este escolhido por Deus para ser porta voz de sua mensagem ao mundo. Nesta obra vemos a estruturação identitária do povo a firmação da sua identidade nacional. Este povo possui uma ética, estética, dieta e espiritualidade fundamentados no ideal de pureza, e santidade.

Santidade aqui compreendida como radical separação em oposição a cultura de nações (gentios). Em alguns momentos a radicalidade da linguagem de Levítico pode chocar o leitor contemporâneo, pelo rigor desta separação e pelas penas impostas aos opositores de sua implementação.
Tal rigor demonstra o caráter hediondo, e contaminador do pecado e a necessidade constante de restauração por meio da expiação. Existe um complexo sistema simbólico e ritual que expressa a necessidade de expiação do pecado por meio do sacrifício substitutivo e da purificação. Este sistema alcança todos os grupos sociais da nação. 
Deve-se considerar o caráter progressivo da revelação divina e também o fato de que uma avaliação honesta do livro deve levar em consideração o contexto histórico e o modo de vida dos povos contemporâneos, evitando assim o tão recorrente anacronismo.

Por outro lado, Levítico apresenta também princípios de misericórdia, compaixão e graça que antecipam e fundamentam o evangelho anunciado e revelado por Jesus. O amor ao próximo, o cuidado com os pobres, a misericórdia expressa nos anos de jubileu, e o ideal de justiça são exemplos de uma ética que permeia a proclamação do Reino de Deus.

Levítico é um livro que não pode ser lido desconectado do restante do pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio), pois a sua mensagem torna-se viva através das narrativas que fundamentam e esclarecem a sua redação.

Sobre Quentin Tarantino e a Bíblia


Sobre Quentin Tarantino e a Bíblia. Impressões a partir de uma leitura devocional no livro de Juízes.
Quentin Tarantino -  Fonte: Arquivo Pessoal
A impressão que se tem ao ler o Livro de Juízes é a de que estamos diante de uma obra de Quentin Tarantino. O premiado cineasta[1] é reconhecido pela composição de roteiros (narrativas) não-lineares, diálogos memoráveis e o uso de violência. [2] Precisamente estas são as similaridades entre o livro de Juízes e a obra ficcional deste ícone do cinema. Com a importante ressalva de que a obra sacra supera a cinematográfica, em todos estes quesitos.
A narrativa de Juízes choca o leitor contemporâneo, por sua construção randômica[3], e por seu realismo brutal. Assassinatos, traições, sacrifícios humanos, e guerras sangrentas, lutas fratricidas, no seio das tribos, a busca desenfreada por poder, riqueza e prazer, são algumas das motivações mais chocantes e vis que os personagens ali descritos, (e por que não dizer por nós ali representados), são capazes de expressar. O realismo como o livro apresenta a natureza humana corrompida pelo pecado, e a percepção de uma espiritualidade popular de ordem sincrética, diversa dos elevados princípios da aliança mosaica, fazem com que as abordagens cosméticas e românticas da espiritualidade bíblica, sejam prontamente repelidas para a vala comum dos discursos vazios e politicamente corretos.
Aprendemos com a leitura deste livro inspirado que Deus se revela nas realidades mais duras, cruéis e difíceis da existência humana, se valendo de personagens contraditórias e até mesmo anti-heroicas para a realização dos atos mais gloriosos, de fidelidade e bondade. Apesar dos recorrentes atos de rebeldia, Deus perseverantemente intervinha na história levantando libertadores, para trazer as vitórias necessárias para o povo e se valendo da disciplina aplicada para preservar a aliança. Creio que este é o caráter chocante da graça de Deus apresentado neste livro. A graça é o favor imerecido de Deus. E o livro de Juízes está aí para demonstrar que este favor é imerecido mesmo!
O livro evoca no leitor contemporâneo, imagens e conceitos de ordem social e política e espiritual. Podemos falar de uma “anomia” nos moldes do conceito do sociólogo Émile Durkheim que define o termo como uma condição em que as normas sociais e morais são confundidas, pouco esclarecidas ou simplesmente ausentes.[4]
Também podemos falar sobre um “contrato social” nos moldes preconizados por um estado Hobesiano, pois em juízes o “homem é o lobo do homem”[5] e a selvageria e a desordem são apresentadas como o contraponto da posterior ordem monárquica, o que se depreende da afirmação recorrente do autor de que “Naqueles dias, não havia rei em Israel”.
Levanta-se portanto o Estado teocrático de Israel, como um ente-necessário para superação do caos social, desordem espiritual e perversão moral da nação. A monarquia judaica, mesmo nos seus dias de menor prestígio, foi superior, ao período relatado no livro de Juízes. Em perspectiva histórico-redentiva a monarquia era uma etapa necessária na revelação progressiva de Deus, cujo o ápice é a própria revelação de Cristo, o messias-rei procedente da tribo de Judá, e linhagem de Davi, rei de Israel e Senhor de todos os povos. Deus soberanamente conduz a história apesar do aparente caos expresso no modo de vida dissoluto do povo.
Se alguém quiser uma recomendação minha sobre uma descrição realista da natureza humana, eu recomendaria a leitura do livro de Juízes. Agora se alguém quiser saber qual diretor eu indicaria para uma adaptação cinematográfica desta obra inspirada, sem dúvida alguma eu indicaria o Tarantino.
Pastor Manoel Delgado Júnior

[1] Vencedor de 5 prêmios Oscar, 5 Globos de Ouro, e 5 prêmios Bafta. Recebeu inúmeras indicações para prêmios cinematográficos.
[3]Juízes 1:1-21:25 Israel luta contra os restantes cananeus [Juízes 1: 1] O anjo do Senhor em Boquim [Juízes 2: 1] Josué morre [Juízes 2: 6] Desobediência e derrota [Juízes 2: 10] Os povos que Israel não expulsou [Juízes 3: 1] O juiz Otniel [Juízes 3: 8] Eude [Juízes 3: 15]Sangar [Juízes 3: 31] Débora [Juízes 4: 1] O cântico de Débora [Juízes 5: 1]Deus chama Gideão [Juízes 6: 1] Gideão vence os midianitas [Juízes 7: 1] Gideão persegue dois reis [Juízes 8: 1] O éfode de Gedeão [Juízes 8: 22]A morte de Gedeão [Juízes 8: 28]Abimeleque é feito rei [Juízes 9: 1] Tola [Juízes 10: 1] Jair [Juízes 10: 3] Jefta [Juízes 10: 6] Efraim contra Jefta [Juízes 12: 1] Ibzã, Elom e Abdom [Juízes 12: 8] O nascimento de Sansão [Juízes 13: 1] O casamento de Sansão [Juízes 14: 1]A vingança de Sansão sobre os filisteus [Juízes 15: 1]Sansão e Dalila [Juízes 16: 1]A morte de Sansão [Juízes 16: 23]Os ídolos do Mica [Juízes 17: 1] A tribo de Dã estabelece-se em Laís [Juízes 18: 1]O levita e a sua concubina [Juízes 19: 1]Os israelitas lutam contra os benjamitas [Juízes 20: 1]Mulheres para os benjamitas [Juízes 21: 1] Estrutura Bíblica Temática. Fonte: Bíblia de Estudo E-Sword
[4] http://colunastortas.com.br/2015/08/06/emile-durkheim-anomia-e-alienacao/ acessado em 12/12/2017

25 setembro, 2017

Leitura - WRIGHT, Christopher J. H., A missão do Povo de Deus, Uma teologia bíblica da missão da Igreja, Editora Vida Nova, São Paulo, SP. 2012.   (352 Páginas)


Leitura - WRIGHT, Christopher J. H., A missão do Povo de Deus, Uma teologia bíblica da missão da Igreja, Editora Vida Nova, São Paulo, SP. 2012.   (352 Páginas)

Esta obra de Chris Wright diretor internacional do Langham Partnership International publicada no brasil por edições Vida Nova. É um complemento de sua obra anterior “A missão de Deus” tendo sido originalmente escrita para uma coleção de teologia bíblica publicada em inglês por Zondervan de Grand Rapids, Michigan, e no Brasil publicada por edições Vida Nova em coedição com Instituto Betel Brasileiro. Trata-se de um ensaio de teologia bíblica, onde o autor apresenta a necessidade de integração entre a missiologia e a teologia. Esta abordagem é fruto da constatação de que aqueles que estão interessados por missões, geralmente não são muito afeitos a teologia, e que aqueles, que por sua vez, dedicam-se a teologia, nos departamentos e centros de estudo teológicos, nem sempre dão a devida atenção as implicações missiológicas da doutrina. Para superar este abismo, o autor procura responder a pergunta sobre “O que a Bíblia toda tem a nos dizer, nos dois testamentos, a respeito da razão de existir do povo de Deus” (pág.22). A obra está dividida em três seções principais. Na primeira o autor define os pressupostos bíblicos e teológicos da reflexão missiológica. A missão é singular no sentido de que ela é a Missio Dei, a missão de Deus. Ela é plural no conjunto das ações e atividades desenvolvidas no empreendimento missionário. A missão é global em sua abrangência, alvo e extensão. A missão é para toda a igreja, que é chamada a se envolver na missão de Deus. A missão é o compromisso com a singularidade de Cristo e com a totalidade do evangelho de Cristo. Na segunda seção do livro definem-se algumas respostas sobre a missão do povo de Deus. A igreja é constituída de pessoas que conhecem a história mundial, e conhecem o propósito de Deus revelado no Messias, e a dinâmica da história através dos conceitos de criação, queda, redenção, e nova criação apresentados nas escrituras. E que procuram testemunhar por palavras e ações, o propósito redentor de Deus em favor de todos os povos da terra. Na terceira e última seção são derivados importantes imperativos para a prática missional da igreja. Uma convocação para a missão no mundo, através do cuidado com a criação e do serviço à sociedade. Uma chamada para o compromisso com evangelho integral superando as dicotomias entre o individual e o cósmico, entre o crer e o viver, entre a proclamação e a demonstração. Uma advertência para a igreja arrepender-se de tudo em sua pratica que inviabilize a missão e um chamado para renovação do compromisso missionário visando a manifestação da Glória de Deus entre todas as nações. A missão do povo de Deus é um livro de agradável leitura, que poderá ser lida individualmente, ou em conjunto com a obra já mencionada do mesmo autor. Dentre os temas desenvolvidos um que me chamou bastante a atenção foi o estudo sobre a relação entre a missão e a esfera pública (págs.265-292). Neste capítulo o autor defende que Deus criou, se interessa e redime a esfera pública tendo a igreja o dever considerar seriamente esta realidade. O autor também levou em consideração, o fato de que os cristãos em muitos lugares sofrem severas perseguições e restrições na esfera pública por sua fidelidade ao Senhor.

Leitura - WRIGHT, Christopher J. H., A missão de Deus, Desvendando a grande narrativa da Bíblia, Editora Vida Nova, São Paulo, SP. 2014.   (576 Páginas)


Leitura - WRIGHT, Christopher J. H., A missão de Deus, Desvendando a grande narrativa da Bíblia, Editora Vida Nova, São Paulo, SP. 2014.   (576 Páginas)
Esta obra de Chris Wright diretor internacional do Langham Partnership International. Foi reitor da All Nations Christian College e professor do Union Biblical Seminary, em Pune, Índia. Publicada no brasil por edições Vida Nova. Vem apresentar uma importante contribuição para a áreas de teologia bíblica e missões.  A obra pode ser (ver pág.26) sintetizada em quatro grandes blocos temáticos. Na primeira parte aborda-se o tema da Bíblia e a missão onde o propósito do autor é o de apresentar as bases para uma hermenêutica missional das escrituras. Após uma análise sobre as diversas tentativas de se estabelecer um MITTE, para a mensagem das escrituras. O autor reconhece que estas tentativas tiveram a sua relevância e bem como as suas limitações, uma vez que, a ampla variedade de propostas formuladas, evidenciou a dificuldade de se estabelecer este tema unificador. Contudo para o autor o estudo das escrituras não pode ser reduzido uma mera formulação de teologias contextuais, em que o critério de seleção é a situação vivencial da presente geração sendo este o critério ultimo para a interpretação bíblica, por fim o autor defende a missão como matriz hermenêutica para a compreensão de toda a Bíblia. Reconhecendo nesta abordagem muito mais do que uma leitura de defesa, do tema missões ou uma mera e subjetiva leitura contextual das escrituras. O autor visa apresentar a viabilidade de uma hermenêutica missional das escrituras.Definido o método, o autor avança para segunda seção da obra cujo o tema desenvolvido é o Deus da missão. Nesta parte são desenvolvidos os capítulos sobre YHVH e o monoteísmo, onde o autor visa demonstrar que o Senhor é único, transcendente, universal e o Santo de Israel. (pág.105)  Jesus como o Senhor, Jesus é revelação do Deus vivo e verdadeiro, ele é a revelação do amor e propósitos  missionários de Deus. (pag.138)  Confrontando a idolatria. Nesta sessão o autor visa demonstrar que o ensino geral das escrituras é de que nenhum dos ídolos é semelhante ao Senhor sendo antes obras da criação. Não há nenhum outro Deus como o Senhor. Na terceira seção é desenvolvida uma análise sobre o povo da missão. Nesta sessão abordam-se temas clássicos da teologia bíblica como os conceitos de eleição, redenção, aliança e ética. Evita-se o exclusivismo étnico. Resgata-se a noção abrangente da aliança abraâmica O povo de Deus é a comunidade da aliança, escolhido por Deus para ser um modelo e uma benção para todas as nações. Na quarta parte da obra analisa-se o palco da missão. Nesta seção são analizados os temas da terra, humanidade o pecado e o mal, a sabedoria e a cultura e as missões e o futuro. Onde a relação vétero-testamentária entre Deus a Israel e a terra é ampliado para o propósito de Deus para toda a humanidade através de Cristo. Assim o autor visa demonstrar que esta relação aponta para a relação entre Deus, a humanidade e o planeta terra através de Cristo.(pág.410-411). Destaca-se que a medida que o autor desenvolve todos os temas acima mencionados, o mesmo sempre apresenta implicações e aplicações para o cenário contemporâneo.