25 setembro, 2017

Leitura - WRIGHT, Christopher J. H., A missão do Povo de Deus, Uma teologia bíblica da missão da Igreja, Editora Vida Nova, São Paulo, SP. 2012.   (352 Páginas)


Leitura - WRIGHT, Christopher J. H., A missão do Povo de Deus, Uma teologia bíblica da missão da Igreja, Editora Vida Nova, São Paulo, SP. 2012.   (352 Páginas)

Esta obra de Chris Wright diretor internacional do Langham Partnership International publicada no brasil por edições Vida Nova. É um complemento de sua obra anterior “A missão de Deus” tendo sido originalmente escrita para uma coleção de teologia bíblica publicada em inglês por Zondervan de Grand Rapids, Michigan, e no Brasil publicada por edições Vida Nova em coedição com Instituto Betel Brasileiro. Trata-se de um ensaio de teologia bíblica, onde o autor apresenta a necessidade de integração entre a missiologia e a teologia. Esta abordagem é fruto da constatação de que aqueles que estão interessados por missões, geralmente não são muito afeitos a teologia, e que aqueles, que por sua vez, dedicam-se a teologia, nos departamentos e centros de estudo teológicos, nem sempre dão a devida atenção as implicações missiológicas da doutrina. Para superar este abismo, o autor procura responder a pergunta sobre “O que a Bíblia toda tem a nos dizer, nos dois testamentos, a respeito da razão de existir do povo de Deus” (pág.22). A obra está dividida em três seções principais. Na primeira o autor define os pressupostos bíblicos e teológicos da reflexão missiológica. A missão é singular no sentido de que ela é a Missio Dei, a missão de Deus. Ela é plural no conjunto das ações e atividades desenvolvidas no empreendimento missionário. A missão é global em sua abrangência, alvo e extensão. A missão é para toda a igreja, que é chamada a se envolver na missão de Deus. A missão é o compromisso com a singularidade de Cristo e com a totalidade do evangelho de Cristo. Na segunda seção do livro definem-se algumas respostas sobre a missão do povo de Deus. A igreja é constituída de pessoas que conhecem a história mundial, e conhecem o propósito de Deus revelado no Messias, e a dinâmica da história através dos conceitos de criação, queda, redenção, e nova criação apresentados nas escrituras. E que procuram testemunhar por palavras e ações, o propósito redentor de Deus em favor de todos os povos da terra. Na terceira e última seção são derivados importantes imperativos para a prática missional da igreja. Uma convocação para a missão no mundo, através do cuidado com a criação e do serviço à sociedade. Uma chamada para o compromisso com evangelho integral superando as dicotomias entre o individual e o cósmico, entre o crer e o viver, entre a proclamação e a demonstração. Uma advertência para a igreja arrepender-se de tudo em sua pratica que inviabilize a missão e um chamado para renovação do compromisso missionário visando a manifestação da Glória de Deus entre todas as nações. A missão do povo de Deus é um livro de agradável leitura, que poderá ser lida individualmente, ou em conjunto com a obra já mencionada do mesmo autor. Dentre os temas desenvolvidos um que me chamou bastante a atenção foi o estudo sobre a relação entre a missão e a esfera pública (págs.265-292). Neste capítulo o autor defende que Deus criou, se interessa e redime a esfera pública tendo a igreja o dever considerar seriamente esta realidade. O autor também levou em consideração, o fato de que os cristãos em muitos lugares sofrem severas perseguições e restrições na esfera pública por sua fidelidade ao Senhor.

Leitura - WRIGHT, Christopher J. H., A missão de Deus, Desvendando a grande narrativa da Bíblia, Editora Vida Nova, São Paulo, SP. 2014.   (576 Páginas)


Leitura - WRIGHT, Christopher J. H., A missão de Deus, Desvendando a grande narrativa da Bíblia, Editora Vida Nova, São Paulo, SP. 2014.   (576 Páginas)
Esta obra de Chris Wright diretor internacional do Langham Partnership International. Foi reitor da All Nations Christian College e professor do Union Biblical Seminary, em Pune, Índia. Publicada no brasil por edições Vida Nova. Vem apresentar uma importante contribuição para a áreas de teologia bíblica e missões.  A obra pode ser (ver pág.26) sintetizada em quatro grandes blocos temáticos. Na primeira parte aborda-se o tema da Bíblia e a missão onde o propósito do autor é o de apresentar as bases para uma hermenêutica missional das escrituras. Após uma análise sobre as diversas tentativas de se estabelecer um MITTE, para a mensagem das escrituras. O autor reconhece que estas tentativas tiveram a sua relevância e bem como as suas limitações, uma vez que, a ampla variedade de propostas formuladas, evidenciou a dificuldade de se estabelecer este tema unificador. Contudo para o autor o estudo das escrituras não pode ser reduzido uma mera formulação de teologias contextuais, em que o critério de seleção é a situação vivencial da presente geração sendo este o critério ultimo para a interpretação bíblica, por fim o autor defende a missão como matriz hermenêutica para a compreensão de toda a Bíblia. Reconhecendo nesta abordagem muito mais do que uma leitura de defesa, do tema missões ou uma mera e subjetiva leitura contextual das escrituras. O autor visa apresentar a viabilidade de uma hermenêutica missional das escrituras.Definido o método, o autor avança para segunda seção da obra cujo o tema desenvolvido é o Deus da missão. Nesta parte são desenvolvidos os capítulos sobre YHVH e o monoteísmo, onde o autor visa demonstrar que o Senhor é único, transcendente, universal e o Santo de Israel. (pág.105)  Jesus como o Senhor, Jesus é revelação do Deus vivo e verdadeiro, ele é a revelação do amor e propósitos  missionários de Deus. (pag.138)  Confrontando a idolatria. Nesta sessão o autor visa demonstrar que o ensino geral das escrituras é de que nenhum dos ídolos é semelhante ao Senhor sendo antes obras da criação. Não há nenhum outro Deus como o Senhor. Na terceira seção é desenvolvida uma análise sobre o povo da missão. Nesta sessão abordam-se temas clássicos da teologia bíblica como os conceitos de eleição, redenção, aliança e ética. Evita-se o exclusivismo étnico. Resgata-se a noção abrangente da aliança abraâmica O povo de Deus é a comunidade da aliança, escolhido por Deus para ser um modelo e uma benção para todas as nações. Na quarta parte da obra analisa-se o palco da missão. Nesta seção são analizados os temas da terra, humanidade o pecado e o mal, a sabedoria e a cultura e as missões e o futuro. Onde a relação vétero-testamentária entre Deus a Israel e a terra é ampliado para o propósito de Deus para toda a humanidade através de Cristo. Assim o autor visa demonstrar que esta relação aponta para a relação entre Deus, a humanidade e o planeta terra através de Cristo.(pág.410-411). Destaca-se que a medida que o autor desenvolve todos os temas acima mencionados, o mesmo sempre apresenta implicações e aplicações para o cenário contemporâneo.   

Leitura - MÚZIO, Rubens, O DNA da liderança cristâ, Editora Esperança 2ª edição, Arapongas, PR. 2013.   (222 Páginas)


Leitura - MÚZIO, Rubens, O DNA da liderança cristâ, Editora Esperança 2ª edição, Arapongas, PR. 2013.   (222 Páginas)
Esta obra do Dr. Rubens Múzio, ministro religioso e missionário da SEPAL, nesta obra busca delinear uma proposta para liderança cristã contemporânea brasileira. Baseada no modelo missional e tendo como chave hermenêutica o próprio modelo de Cristo. Estas lideranças, denominadas pelo autor de missionais, estão a serviço das comunidades cristãs em seus mais variados contextos estimulando-as a assumirem o seu caráter de Igrejas-em-missão, compromissadas com o Senhor da seara dentro da perspectiva da “Missio Dei”. Logo na introdução, Múzio apresenta que uma das suas motivações ao escrever a obra foi a de munir a igreja brasileira com uma perspectiva de liderança inovadora e missionária, que permita a igreja a perseverar no propósito apesar das dificuldades e oposição. Tais motivações estão ligadas a sua própria peregrinação pessoal em que o autor relata que ao exercer o ministério pastoral em dois contextos culturais distintos, experimentando franco crescimento e aridez e declínio pode refletir sobre a relação entre as ferramentas ministeriais e a dependência de Deus. Os desdobramentos destas reflexões são amplamente desenvolvidas ao longo da obra.  A obra está subdividida em quatro seções principais. Na primeira seção são apresentados os modelos contemporâneos de liderança. O conceito dominante desta seção é o de paradigma, que deve ser entendido no sentido proposto por Tomás Khun, popularizado em teologia por Hans Kung, que consiste “numa constelação de convicções, valores e técnicas”.[1] Neste sentido, o autor apresenta sete paradigmas contemporâneos de liderança e ministério que tem atraído muitos líderes. São eles: o (01) paradigma de repetição; (02) do profissionalismo; (03) do empresariado; (04) da tecnologia; (05) do consumo e do marketing; (06) do entretenimento; (07) da psicologização. Todos estes paradigmas se originam de alguma demanda justa, ou necessidade detectada, mas por seu caráter reducionista e recepção acrítica por parte das lideranças acaba por se tornar uma caricatura ao invés de um modelo genuinamente cristão. A segunda seção é voltada para os fundamentos bíblicos e teológicos para um modelo missional de liderança cristã. Na onde Cristo é a chave para se entender a história e para delinear o ministério cristão. É na cristologia que se deverá encontrar o substrato bíblico e teológico para o ministério. Neste sentido a encarnação, a peregrinação, o sacrifício, e ascensão e a parousia são vistos como verdades que transcendem a história da redenção capazes de influenciar e inspirar os líderes cristãos. Assim a chamada do povo de Deus é para refletir em sua caminhada as implicações desta identificação com o seu mestre e Senhor. Na terceira seção é apresentada uma proposta para um estilo brasileiro de liderança missional.  Este estilo possui como referêncial o modelo de Jesus, é capaz de dialogar com todos os modelos contemporâneos de liderança, sem diluir a sua identidade. Busca equilibrar o cuidado espiritual e a ação social. Sendo capaz de formular perguntas missionais e de estabelecer padrões (bíblico, histórico e contextual, cultural e prático). O que no contexto brasileiro significa dialogar com uma cultura pragmática, mística, de religiosidade sincretista e de ética relativista. Para Múzio o grande desafio para os líderes missionais é fazer com que o evangelho atue dentro da cultura sem que seja distorcido por ela.” [pág.169] Na última seção apresenta-se os passos para a implementação e avaliação do modelo missional. A avaliação se dá por meio do conceito de crescimento integral, e a implementação decorre de um plano de ação que promove análises de diagnóstico e a formulação de objetivos e estratégias que considerem o contexto, e alcancem  integralmente todas as dimensões de crescimento.  


[1] KUNG, HANS, TEOLOGIA A CAMINHO, FUNDAMENTAÇÃO PARA O DIÁLOGO ECUMENICO, PAULINAS,1999 Obs. Esta obra não é citada pelo autor, nem consta na bibliografia geral de sua obra. É mencionada apenas por conter a definição paradigma que acreditamos ser a empregada pelo autor. Na  bibliografia é mencionado um artigo de KUNG que menciona o termo paradigma: KUNG, HANS, “Paradigm Change in the History of Theology and the Church: na Attempt at Periodization.” Em Conrad Review, Ed.1, inverno 1985.

Leitura - MÚZIO, Rubens, O DNA da Igreja, comunidades cristãs transformando a nação, Editora Esperança, Curitiba, PR. 2010.   (315 Páginas)


Leitura - MÚZIO, Rubens, O DNA da Igreja, comunidades cristãs transformando a nação, Editora Esperança, Curitiba, PR. 2010.   (315 Páginas)
Esta obra do Dr. Rubens Múzio, ministro religioso e missionário da SEPAL, visa articular, no contexto da igreja brasileira, os elementos do ser e do fazer eclesiológico contemporâneo. Visando delinear os princípios fundamentais que constituem a essência, ou melhor, de acordo com o autor o DNA da Igreja. Para alcançar tão ousado empreendimento, o autor procura estabelecer um equilíbrio entre a dimensão organizacional da igreja e os aspectos de sua missão, vitalidade e espiritualidade (organismo x organismo) reconhecendo a tensão desta relação, mas ao mesmo tempo, procurando superá-la por meio da afirmação identitária da Igreja que para o autor é sinal escatológico do reino de Deus. Também digno de nota é o fato do autor desenvolver um diálogo crítico e construtivo com movimentos teológicos distintos, como o neocalvinismo, a missão integral, o movimento de crescimento de igrejas, a igreja emergente, o desenvolvimento natural da igreja visando o estabelecimento de pontes, delimitação de fronteiras e explorando possibilidades na construção de um modelo transformador para a nação. Sua contribuição para a realidade eclesial brasileira é fruto de sua experiência ministerial e de suas pesquisas amplamente desenvolvidas no âmbito da SEPAL, agência que hoje possui o maior banco de dados sobre a igreja evangélica no Brasil. Tal aparato permite que o autor possa desenvolver amplas análises sobre o “modus vivendi” das igrejas locais sem desmerecer as fundamentações de ordem missiológica e eclesiológica necessárias para as referidas análises. A obra está dividida em quatro seções, sendo a primeira uma apresentação dos princípios teológicos. Onde busca-se desenvolver uma cosmovisão cristã, biblicamente orientada, articulando os atos de criação, redenção e recriação de Deus, tendo Cristo como Senhor da história e soberano sobre todas as áreas da vida e do empreendimento humano. Desta percepção teológica, desenvolve-se a ideia da vocação da Igreja chamada a estender a influência cristã para transformar a nação. Esta influência se dá através da promoção dos valores do Reino de Deus nas mais diversas expressões da vida. O que para o autor se resumem a quatro grandes áreas: suficiência econômica, paz social, justiça social, retidão nacional. Na segunda seção são abordados temas clássicos de eclesiologia, a saber as metáforas bíblicas sobre a igreja, suas marcas, funções, governo, e a natureza (visível, invisível) da Igreja.  Onde o autor procura desenvolver este conteúdo superando as tensões por meio do conceito missional de Igreja. Para Múzio: “Na sua missão (marturia) dentro do mundo, a Igreja representa-se como comunidade (koinonia) serva (diakonia) e proclamadora da mensagem (kerigma) do Evangelho”. Múzio p.110. Apresenta uma breve análise dos modelos ministeriais e suas implicações para o plantio de igrejas hodierno. Na terceira seção o autor aborda os princípios missiológicos onde são tecidas considerações sobre os esforços de mapeamento da realidade e do crescimento eclesiástico. Porém, são desenvolvidas severas críticas ao movimento de crescimento de igrejas por não considerar adequadamente a multidimensionalidade do crescimento da igreja. Apresenta-se o conceito de crescimento integral como corretivo ao reducionismo das análises do MCI, a partir da contribuição do missiólogo Orlando Costas, que propõe a análise das dimensões numérica, orgânica, conceitual e diaconal para o crescimento eclesiástico. A partir destas contribuições busca-se auxiliar o leitor na elaboração de um mapeamento efetivo visando plantio de igrejas saudáveis. Na quarta e última seção da obra são apresentadas as diversas etapas que constituem o processo de plantação de novas comunidades: a formulação de um projeto (strategic planning) aplicado a dimensão eclesiástica; a formação de equipes ministeriais; o processo de intercessão; seleção dos métodos de evangelização; o mapeamento sócio-cultural; a escolha do modelo de plantação e finalmente a formulação de um plano de ação que contemple todas estas áreas. Ao final um roteiro é disponibilizado para auxiliar o plantador na formulação de um plano de ação.

Leitura  - SNYDER, Howard, A COMUNIDADE DO REI, ABU EDITORA, São Paulo, SP. 2004.  (210 Páginas)


Leitura  - SNYDER, Howard, A COMUNIDADE DO REI, ABU EDITORA, São Paulo, SP. 2004.  (210 Páginas)

Esta obra do renomado missionário e teólogo Howard Snyder, é uma grande contribuição na área de eclesiologia. O autor é ph.D em teologia histórica pela Universidade de Notre Dame e professor do Tyndale Seminary, em Toronto, Canadá. Foi missionário no Brasil na Igreja Metodista Livre e um dos participantes na Conferência de Lausanne. A obra é toda desenvolvida na relação entre igreja e reino de Deus. Na introdução o autor apresenta a definição da igreja como agente do Reino, reconhecendo a Missio Dei, sendo a igreja instrumento e agente do propósito de Deus de fazer convergir em Cristo toda a Criação. A primeira parte da obra analisa a percepção do reino de Deus. Onde as concepções clássicas e modernas de Igreja são analisadas. Na segunda parte da obra o autor analisa biblicamente o conteúdo o conceito de Igreja, e na terceira e última sessão aspectos missiológicos e práticos são abordados. Considero como elemento positivo e relevante nesta obra a definição de estruturas eclesiásticas e paraeclesiásticas. Uma vez que, esta distinção se constitui em importante instrumental para análise eclesiástica e para a promoção de processos de revitalização da igreja. Para Snyder, estruturas eclesiásticas são estruturas transculturais, divinamente instituídas, essenciais, teologicamente derivadas das escrituras, consistindo no núcleo não negociável do que é vem a constituir a verdadeira igreja. Estas estruturas eclesiásticas consistem no ministério e na liderança através dos dons do Espírito (comunidade carismática), nas grandes celebrações e nos grupos pequenos. A igreja é a comunidade do povo de Deus, a difusora e despenseira da multiforme graça divina. Sendo ela uma agencia do reino de Deus. As estruturas paraeclesiásticas por sua vez, são estruturas que servem a Igreja na sua missão. Não são a igreja, mas sim estruturas que foram associadas a igreja em algum contexto histórico e cultural. Sua relevância é de caráter circunstancial e histórico. Estas estruturas não devem ser necessariamente eliminadas, numa tentativa romântica de retorno ao início. Nem devem igualmente ser sacralizadas, sendo confundidas com as estruturas eclesiásticas. Antes, porém, as mesmas devem ser consideradas a luz do seu propósito funcional que é o de servir a Igreja em sua missão. Apesar da obra ter sido publicada originalmente 1997, suas contribuições e análises ainda são bastante atualizadas sobre a reflexão eclesiológica, tendo inclusive incorporado a reflexão e prática, do movimento de crescimento de igreja, o movimento de grupos pequenos, a renovação eclesial católica e as propostas latino-americanas de eclesiologia. Em linhas gerais, podemos dizer que sua reflexão sustenta e amplia uma posição evangelical no espírito de Lausanne.