10 abril, 2009

Por que estamos em crise?




Estamos em crise por que tentamos construir pontes entre Deus e os Homens. Estamos em crise por que fomos residir no edifício da modernidade e na medida em que o teto desaba sobre nós tememos por nós mesmos e por nossas vidas.

Estamos em crise por que confundimos atemporal com o histórico, o supracultural com a cultura. Estamos em crise por que não aprendemos as lições da história e depois de unirmos a igreja com Estado decidimos unir o evangelho com a cultura.

E agora que o mundo está em crise nós também estamos. Não por que não haja segurança nAquele que nos chamou, mas sim por que os nossos projetos nada têm a ver com os propósitos de Deus.


E agora desesperados pedimos a Ele que salve as nossas agendas, salve os nossos programas, salve os nossos empreendimentos lucrativos, que Ele salve nossas convicções seculares, que ele salve nossas abordagens e este nosso jeitão. Quando Ele mesmo nada tem a ver com isto.

Estamos em crise por que confundimos o evangelho com a cultura e agora que a cultura se esfacela pensamos que o evangelho também tombará. Estamos em crise por que amamos mais os odres do que o vinho.

A Pós-modernidade não é o problema:A mudança de época não é o problema, mas sim a fusão da igreja com a cultura. Quando os pressupostos da modernidade são destruídos, isto nos atinge na medida em que estes também eram os nossos pressupostos, ou melhor a base das nossas convicções.


Assim se nós só acreditamos na verdade através de trincheira acadêmica e não por causa de sua manifestação no tempo e no espaço em Cristo, o verbo encarnado de Deus tenderemos a reduzir as nossas convicções de fé as novas perspectivas científicas.  

O principio da indeterminação Heinsenberg[2] só tira o sono de quem não crê que no principio havia o verbo e o verbo estava com Deus e o verbo era Deus. O declínio do Ocidente[3] só preocupa os ocidentais e a Igreja na medida em que ela se enxerga ocidental (miopia imperdoável ). As duas grandes Guerras do ultimo século só abalaram as crenças pseudo-cristãs de progresso inabalável da sociedade.


A queda do muro de Berlim só abalou um grupo de “cristãos marxistas” que apostaram no socialismo cristão. As crises político-institucionais da democracia liberal moderna só preocupam “os cristãos democratas” que inventaram partidos com a assim chamada posição cristã no espectro político (o que geralmente significa uma social democracia pálida) além do fato de que a gente sempre fica com ideia de que Péricles era um grande doutrinador do cristianismo, seguido por Monstesquieu e Keynes .


O Fim da modernidade trás calafrios nos fundamentalistas, nos liberais, nos neo-ortodoxos, nos apologistas cristãos, nos evidencialistas, nos pressupocionalistas, nos líderes institucionais, nos defensores do movimento de crescimento de Igreja. Afinal por que decorar tantos termos se as regras do jogo estão mudando?


Quem vai ler as evidencias que exigem um veredito?[4] Se a apologética clássica é fruto de uma modernidade que buscava evidencias para se acreditar naquilo que é objeto de fé? (Foi o Senhor quem disse bem aventurados os que não viram e creram.)
Esta é a atual crise, mas graças a Deus ela não tem nada a ver com a verdadeira igreja de nosso Senhor Jesus Cristo!


Manoel Gonçalves Delgado Júnior.

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