13 julho, 2012

O PARADOXO CHINÊS


Se dá dinheiro não reclamamos...
Se é marxista não criticamos...

Aborto forçado no sétimo mês de gravidez. 

"Ai daquele que constrói o seu palácio por meios corruptos, seus aposentos, pela injustiça, fazendo os seus compatriotas trabalharem por nada, sem pagar-lhes o devido salário.” Jeremias 22: 13

"Ai daquele que edifica uma cidade com sangue e a estabelece com crime!” Habacuque 2:12

“Ai da cidade sanguinária...” Naum 3:1

A ascensão da China no cenário econômico mundial está trazendo a tona o pior lado da nossa política ocidental. Exatamente por conjugar aspectos de uma economia de mercado com um verniz ideológico de fundo marxista.
Neste país a violação dos direitos humanos tem sido tolerada, a ausência das liberdades civis tem sido assimiladas e apresentadas como uma característica peculiar do estado Chinês, e  absolutamente normais.
As regras de mercado e os direitos civis que foram mundialmente conquistados a custa de sangue, martírio e de movimentos sociais e espirituais como os avivamentos com Wesley e o abolicionismo de Willian Wilberforce na Inglaterra[1] estão sendo lentamente flexibilizadas, no caso chinês. Muito embora, o desrespeito as mesmas regras possa representar a lenta ascensão de uma nova espécie de regime de trabalho: o trabalho compulsório de mercado.   
O avanço da economia de mercado não tem representado o progresso das liberdades civis do povo, e nem o fim da perseguição a Igreja Cristã, que apesar disto subterraneamente tem crescido, por meio de uma rede grupos pequenos nos lares, mas que não goza de liberdade religiosa estatal.
O paradoxo chinês continua, por exemplo, na questão dos direitos trabalhistas. Em nenhum outro país do mundo a mão de obra é mais barata, por esta razão, nenhum outro país impulsiona mais a flexibilização dos direitos trabalhistas, o paradoxo está em que esta flexibilização é defendida hoje por setores da esquerda mundial e também brasileira, o que vai contra a própria trajetória que conduziu estes movimentos ao poder no mundo.
Ao se confirmarem, as projeções que colocam a China como a maior economia do século XXI, presumisse que talvez nenhuma outra nação venha influenciar mais costumes, valores e sociedade neste novo século. O que certamente terá reflexos diretos na maneira como vivemos.
A direita, por exemplo, não tem sido menos omissa nestas questões. Por mais dantesca que possa ser a quimera estatal chinesa. É inegável que do ponto de vista do mercado ela está dando certo, ou seja, ela está aumentando o capital, os setores produtivos estão girando enormes quantidades de recursos, empreiteiros lucram extraordinariamente com o surgimento repentino de cidades, e uma nova classe média chinesa maior do que a população brasileira pode surgir como um novo mercado consumidor global, sob uma imensa base de servos produtores, excluídos das benesses sociais.  
Cabe à direita [2] o auto-engano, de proclamar que a liberdade de mercado tenderá a gerar gradativamente o avanço das liberdades civis com democracia e direitos para a todos, omitindo, porém a triste realidade que liberdade de mercado e liberdades civis nem sempre caminharam juntas ao longo da história.
Cabe à esquerda, mais uma vez, o companheirismo peculiar, de omitir as atrocidades globais que são, ou foram cometidas em nome do marxismo. O que já acontecia na China desde os dias de Mao Tse Tung.
O propósito deste artigo não é o de desmerecer o belo povo chinês, que apesar de todas estas barreiras ainda preserva uma cultura simbólica rica e milenar. É um povo excepcional.
Mas sim, o de alertar para o risco do silencio dos grupos políticos, e econômicos sobre a violação dos direitos humanos numa vasta extensão do mundo.
Por falar nisto, a Índia,  a Indonésia, e a Coreia do Norte não se encontram em condições melhores. Nestes e em muitos outros lugares existem violações aos direitos humanos e perseguições religiosas.
 A pergunta que eu me faço é a seguinte, quem vai se indignar pelo aborto forçado de 7 meses de Feng Jianmei , jovem chinesa de 22 anos que impossibilitada de pagar a multa para ter um segundo filho, teve seu filho assassinado no sétimo mês de gravidez. E que por pressão internacional provocada por imagens dela e de seu filho na internet recebeu uma pífia indenização? Qual tribunal deste mundo poderá julgar com imparcialidade questões como estas? Entre “endinheirados” e “companheiros” quem se preocupará com a vida humana? 

         [1]Citamos apenas o caso Inglês, por ser um exemplo, de tal luta.
[2] Por esquerda e direita, nos referimos ao posicionamento no espectro político, que possui sua origem na revolução Francesa e que constituiu historicamente setores progressistas a esquerda e setores conservadores a direita. Girondinos e Jacobinos respectivamente. Em sentido econômico, os termos estão associados a liberdade econômica, e liberdades civis (direita) e administração estatal da economia, e igualdade social (esquerda). O espectro político-econômico é vasto e possui amplos desdobramentos em sua configuração. Questiona-se atualmente o espectro político-econômico por ser simplista e gerar distorções. Isto é verdadeiro contudo para efeitos de comunicação o seu uso ainda é válido. O ponto aqui é apenas o de demonstrar que no caso chinês, por razões diversas, grupos antagônicos não se posicionam contundentemente sobre os direitos humanos e liberdades civis.
   

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